2005 6 de janeiro

Surgem movimentos na cena urbana

Organizações ocupam as ruas e as redes, reivindicando o direito à cidade

Entre 26 e 31 de janeiro, durante o Fórum Social Mundial de 2005, em Porto Alegre, diversos grupos e coletivos de jovens que lutavam por maior acesso ao transporte público fundam o Movimento Passe Livre (MPL), um movimento autônomo, apartidário, horizontal e independente que faz do transporte público gratuito e sem a intermediação da iniciativa privada sua principal bandeira.

O MPL é o resultado do aprofundamento de ações e movimentos em favor do transporte público gratuito que vinham ganhando força nos últimos anos, como a Campanha pelo Passe Livre em Florianópolis, a Revolta do Buzu (Salvador, 2003) e as Revoltas da Catraca (Florianópolis, 2004 e 2005). 

Na mesma época, tomam corpo as reivindicações e a visibilidade de outros movimentos relacionados ao direito à cidade, à reforma urbana e à ocupação de espaços públicos, que começam a surgir no final da década de 1990.

É o caso do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), fundado em 1997, comprometido com a luta pelo direito à moradia e pela reforma urbana. Grandes acampamentos urbanos do movimento passam a se destacar nacionalmente, como o Acampamento Chico Mendes, em Taboão da Serra, em 2005. 

A criação de novos movimentos — em articulação com movimentos sociais tradicionais — trouxe não apenas demandas antes invisíveis, mas também novas formas de organização social: movimentos descentralizados, horizontais, sem linha de comando e lideranças bem definidas, que ampliam sua capacidade de mobilização via redes sociais.