2005 12 de fevereiro

Irmã Dorothy Stang é morta a tiros no PA

Crime chama a atenção internacional para os conflitos fundiários na Amazônia

Numa estrada de terra de difícil acesso a 53 km de Anapu (PA), a Irmã Dorothy Stang é assassinada com 6 tiros na cabeça. A religiosa vinha recebendo ameaças de morte há mais de um ano, mas não se deixou intimidar: “Não vou fugir e nem abandonar a luta desses agricultores que estão desprotegidos no meio da floresta. Eles têm o sagrado direito a uma vida melhor numa terra onde possam viver e produzir com dignidade, sem devastar.” 

Norte-americana naturalizada brasileira, Dorothy estava na Região Amazônica desde a década de 1970 e mantinha intensa agenda de diálogo com lideranças camponesas, políticas e religiosas, na busca de soluções duradouras para os conflitos relacionados à posse e à exploração da terra na região amazônica. 

Em Anapu, a Irmã foi a responsável pela implantação do Projeto de Desenvolvimento Sustentável Esperança, novo modelo de assentamento destinado à produção de fonte segura de renda e gestão da colheita de madeira, sem destruir a floresta. A área era disputada por madeireiros e latifundiários, que encomendaram a morte da ativista. 

Vitalmiro Bastos de Moura e Regivaldo Pereira Galvão, latifundiários, são apontados como os principais mandantes do crime. Entre 2005 e 2014, 325 pessoas seriam assassinadas em razão de conflitos de terra no Brasil, de acordo com levantamento da Comissão Pastoral da Terra. A Amazônia seria palco de mais da metade desses crimes (67,3% dos assassinatos).