2006 12 a 15 de maio

Conflitos entre PCC e polícia matam 500

Rebeliões nos presídios abrem crise na Segurança de SP, estado mais atingido

Ocorrem rebeliões em 73 presídios no país — a grande maioria no estado de São Paulo. As rebeliões são organizadas pela organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), responsável também pela megarrebelião no estado de São Paulo em 2001.  

Os rebelados de maio de 2006 reclamam da superpopulação carcerária, reivindicam a transferência de presos com condenação definitiva e o aumento do número de visitantes. Além dos motins nos presídios, o PCC desencadeia uma série de ataques a departamentos de polícia, corpo de bombeiros e agências bancárias. Os principais alvos são policiais militares, mas guardas municipais, familiares de policiais, seguranças privados e civis também sofrem agressões e ameaças. Os ataques deixam um saldo de 43 mortos, entre policiais militares, civis, guardas municipais e agentes penitenciários.  

A retaliação a esses crimes se manifesta numa onda de assassinatos de jovens, em sua maioria negros, da periferia de São Paulo. Em alguns dias, 493 pessoas são mortas em uma série de emboscadas e chacinas. Todos os indícios apontam para a ação de grupos de extermínio com participação de policiais. As mães das jovens vítimas da periferia se reuniriam e fundariam o movimento Mães de Maio para pressionar as autoridades públicas a encontrar e punir os criminosos. Suas principais reivindicações são a desmilitarização da polícia e a federalização dos inquéritos sobre os “assassinatos de maio”. 

Até 2015, apenas um policial havia sido condenado, em primeira instância, por três homicídios.