2005 22 de julho

Polícia de Londres mata Jean Charles

Autoridades alegam que brasileiro fora confundido com terrorista no metrô

Jean Charles de Menezes, brasileiro natural de Minas Gerais, é assassinado pela polícia da Inglaterra no metrô de Londres em seu trajeto para o trabalho. São disparados sete tiros contra o brasileiro, sob alegação de que ele era um terrorista. 

Duas semanas antes, um atentado no metrô londrino havia matado 52 pessoas e deixado  cerca de 700 feridos. No dia 21 de julho, mais um atentado, desta vez fracassado, ocorrera no metrô da cidade. A Polícia Metropolitana de Londres alegaria, posteriormente, haver confundido Jean Charles com um dos suspeitos responsáveis pelo atentado da véspera.

A morte do jovem brasileiro gera incidente diplomático: o governo brasileiro exige investigações aprofundadas sobre o caso. Em 2006, o então primeiro-ministro britânico Tony Blair pediria desculpas formais a Lula e à família de Jean. 

Apesar dos apelos do governo brasileiro e da cobertura da imprensa inglesa apontando as falhas da operação, nenhum policial ou autoridade seria processado ou responsabilizado pela execução do eletricista mineiro. Autoridades inglesas justificariam os diversos erros identificados na operação como decorrentes da tensão relacionada aos atentados terroristas que aconteciam na época. Em 2007, a Scotland Yard seria condenada a pagar multa de 175 mil libras por burlar as normas de segurança e saúde da população durante a operação.

A comandante da ação que matou Jean Charles foi condecorada pela Rainha Elizabeth II em 2009, e o comissário de polícia seria indicado à Câmara dos Lordes em 2010.

A morte de Jean Charles também se tornaria símbolo da luta de organizações nacionais e internacionais de Direitos Humanos. A estação de Stockwell, local da morte, receberia, em 2010, um  memorial em homenagem ao brasileiro. Em 2015, a família de Jean Charles entraria com representação na Corte Europeia de Direitos Humanos contra o governo inglês.